OS PUTOS
Adoro crianças
Expressão comum
Nas nossas andanças
Esquecendo as que vivem sós
Como dentro da dura casca de uma noz
Da frágil noz
Que somos cada um de nós
Gerados e criados
Alguns em ambientes pesados
Outros simplesmente ignorados
Todos a ferro disciplinados
Putos, que ainda que alimentados
Vestidos e calçados
Nunca se sentiram amados
Não sendo por crueldade
Foi cruel
Foi o inicio de futura desventura
Condenados à falta de ternura
A quem tudo foi imposto e exigido
Regras não cumpridas
Resultavam em pesado castigo
Coraçãozinho pesado e dorido
Em pranto silencioso e escondido
Como soldado num exercito armado
Completamente isolado
Exilado
E sempre controlado
Ah o control!
Defesa que se impôs
Que ao longo do tempo endurece
Hoje o coração impede
De se se abrir parar amar
O medo que permanece
Do puto se partilhar
Secando as sementes que plantamos
Daquilo que tanto desejamos
Até quando alguém aparece
E nos oferece
A flor já desabrochada
Falta-nos a esperança.
E sempre desconfiamos...
Sim... nós tentamos
Mas como equacionamos
Que a criança onde tão cedo
Se instalou a insegurança
Possa agora reconhecer e ter
O amor que outrora
E até agora
Nunca logrou merecer
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