domingo, 5 de novembro de 2006

A ILUSÃO DA PERDA

Honrando todos aqueles seres que amo e dos quais sempre me sinto perto ainda que longe.

"O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que elas acontecem. Por isso, existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis."
- Fernando Pessoa

Se há ilusão dura de viver
Das que mais nos faz sofrer
É sem duvida
O medo de perder

Será que alguma vez perdemos ?
Será que alguma vez temos ?
Ó Engano ! Vai-te, porque consegui acordar
E perceber
Que nunca se pode perder

Ó Perda
Eu sei agora que não passas de ilusão
Mas ainda assim, que pude eu fazer
Que revolta !
Que raiva se instalou no meu ser
E que me impediu de viajar eu até à dor
Tanta que meu coração albergou sem pudor

Mágoa, dor, vazio..
Deixei enfim vir, permiti-me sentir
Mergulhei com todo o meu ser
Enquanto analisei, pensei e questionei
Até quase enlouquecer
Todos os "se" e "porquê" tinham poder

É preciso sentir
O poder desvairado e demente da ilusão
Para assim chegar à realidade
A sanidade da Transformação !

E quando depois do luto feito
Enterrado o cadáver da ilusão
Aí sim, recusei abrigo
A um morto-vivo no meu peito
Só então
Entendi o porquê e a razão

É que não é possível
Na realidade e em verdade
Perder nada nem ninguém
Muito menos quem
Se enlaçou e aninhou no calor
Do meu Amor
Esse, com ou sem valor
Vai mais Além

Ó Alegria
Ó Maravilha da consciência desperta
Como é bela a descoberta
De que parte de mim irás sempre ser
De que não preciso ter-Te
Bastou Conhecer-Te
E Amar-Te

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